Preço do Bitcoin: Fim do Ciclo de Alta ou Oportunidade Única?
O mercado de criptomoedas atravessa um momento de intensa especulação e notável pessimismo. Após atingir picos expressivos, o preço do Bitcoin recuou de maneira acentuada, caindo abaixo da marca psicológica de 100 mil dólares e, consequentemente, gerando uma pergunta crucial entre investidores: estamos testemunhando o fim do ciclo de alta e o início de um novo bear market?
A recente queda, que levou o ativo de 126 mil para a faixa dos 95 mil, acendeu um grande alerta. O índice de Medo e Ganância, por exemplo, atingiu níveis extremos, inferiores aos vistos durante a crise da exchange FTX em 2022. Essa volatilidade, embora seja uma característica inerente ao Bitcoin, ocorre em um momento inesperado — o segundo ano pós-halving, período historicamente associado a movimentos parabólicos de valorização.
Uma análise mais aprofundada, contudo, revela que este ciclo possui características bastante distintas, marcadas por uma forte presença de investidores institucionais e um cenário macroeconômico desafiador. A dinâmica atual, que mais se assemelha a uma fase de acumulação prolongada, pode estar apenas adiando a expansão, em vez de cancelá-la. Este artigo explora os dados, as teorias e as perspectivas que moldam o futuro do principal ativo digital do mundo.
Análise da Queda no Preço do Bitcoin Abaixo dos 100K: Impacto e Técnica
A barreira dos 100 mil dólares representava muito mais do que um número; era um marco psicológico fundamental para o mercado. A expectativa, construída ao longo do último ciclo, era de que o preço do Bitcoin se consolidasse acima desse patamar antes do halving. A quebra dessa sustentação, naturalmente, gerou frustração e alimentou um forte sentimento de medo.
No início de outubro, o ativo chegou a bater seu All-Time High (ATH), ou máxima histórica, em 126 mil dólares, criando uma enorme expectativa de que alcançaria 150 mil até o final de 2025. O movimento, no entanto, se reverteu, e o preço caiu cerca de 25%, estacionando na faixa dos 95 mil. A sensação para muitos é de que o mercado não sai do lugar, especialmente após meses de estabilidade em torno dos 110 mil.
Analistas técnicos apontam para a formação de uma “Cruz da Morte”, um indicador gráfico que sinaliza uma possível tendência de baixa. É fundamental notar, entretanto, que o Bitcoin já apresentou este mesmo padrão em correções anteriores ao longo de 2024. Essas correções, aliás, foram seguidas por recuperações. Este indicador, por si só, não confirma o início de um bear market prolongado.
Correções Anteriores: Uma Perspectiva Histórica
A volatilidade definitivamente não é uma novidade para o Bitcoin. Ao longo de 2024 e 2025, o ativo já sofreu correções de magnitude similar, incluindo uma queda de 32% em um determinado período. Esses movimentos, embora assustadores no curto prazo, fazem parte da dinâmica de um mercado que ainda está em fase de maturação e descoberta de preço.

O que torna a situação atual mais tensa, sem dúvida, é o timing. Nos ciclos de mercado anteriores, novembro do segundo ano pós-halving foi o palco de picos históricos, seguidos por quedas vertiginosas. Em novembro de 2021, por exemplo, o preço do Bitcoin atingiu seu topo e depois caiu 75% ao longo do ano seguinte. A ausência de um movimento parabólico agora, portanto, gera a dúvida se o padrão se repetirá de forma diferente.
Influência Institucional nos Ciclos de Mercado do Bitcoin: Este Ciclo é Diferente?
A afirmação “este ciclo é diferente” é quase um clichê no mercado de criptomoedas, mas desta vez, ela parece ter fundamentos bastante sólidos. A principal diferença reside no perfil do investidor, pois a entrada massiva de capital institucional mudou completamente a dinâmica de liquidez e o comportamento do preço.
Empresas como a MicroStrategy, fundos de investimento e até mesmo bancos centrais, como o da República Tcheca, estão acumulando Bitcoin em suas reservas. Diferente do investidor de varejo, que age com base na euforia e no medo, os institucionais operam com frieza, aproveitando as quedas para comprar mais. Essa atuação tem contido a volatilidade, de fato, e alongado a fase de acumulação.
Uma análise histórica dos retornos anuais mostra que 2025 está sendo um ano atípico para o preço do Bitcoin. Pela primeira vez, a variação está em um dígito baixo, em torno de 3% positivos. Historicamente, o ativo registrou ou ganhos exponenciais, como 1300% em 2017, ou perdas severas, como -74% em 2018. Essa estabilidade relativa é, sem dúvida, um forte indício da influência institucional.
A Teoria da Reflexividade e as Expectativas do Mercado
Uma teoria interessante para explicar o comportamento atual é a da reflexividade, popularizada pelo investidor George Soros. Ela postula que as percepções dos participantes afetam a realidade do próprio mercado. A crença generalizada de que os ciclos de mercado do Bitcoin duram quatro anos, por exemplo, pode estar influenciando as ações dos investidores.
Muitos especuladores, acreditando que 2026 será um ano de bear market, podem estar antecipando suas vendas já em 2025. Isso, por sua vez, criaria uma pressão vendedora que impede a subida parabólica esperada, cumprindo a própria profecia de um ciclo com retornos decrescentes. As pessoas tentam antecipar o movimento e, ao fazerem isso, acabam por alterar o próprio movimento.
Essa dinâmica psicológica é absolutamente crucial. O preço do Bitcoin não está escrito em seu código; ele é um reflexo da oferta e demanda, que são influenciadas pela psicologia humana. Se a expectativa coletiva muda, o padrão dos ciclos também pode mudar.
O Impacto da Macroeconomia no Preço do Bitcoin
Não se pode analisar o preço do Bitcoin de forma isolada, visto que o cenário macroeconômico global exerce uma pressão significativa sobre todos os ativos de risco. Atualmente, vivemos um período de contração e falta de liquidez global. Bancos estão recorrendo a operações de recompra com o Federal Reserve (Fed) para garantir liquidez diária, um claro sinal de estresse no sistema financeiro.

Dados mostram, além disso, que insiders de grandes corporações estão vendendo suas ações em volumes elevados, buscando liquidez para cobrir custos. Nesse contexto de aperto, é notável que o Bitcoin tenha se mantido resiliente na faixa dos 95 mil a 100 mil dólares, sem sofrer uma queda ainda mais drástica.
A expectativa é que este cenário comece a se reverter em 2026. Com a aproximação de eleições e a necessidade de estimular a economia, a tendência é que os bancos centrais comecem a baixar as taxas de juros. A redução dos juros, por consequência, facilita o crédito e injeta dinheiro no sistema.
Previsão do Ciclo de Valorização do Bitcoin para 2026
Historicamente, períodos de expansão monetária criam bolhas em diversos ativos, pois o capital busca proteção contra a desvalorização da moeda fiduciária. O Bitcoin, por sua natureza escassa e descentralizada, funciona como uma válvula de escape do sistema tradicional e, por isso, tende a se beneficiar enormemente nesses cenários.
A hipótese mais otimista, portanto, é que o movimento parabólico não foi cancelado, mas apenas adiado. O ciclo do ativo pode ter se “descasado” do seu padrão histórico para se alinhar aos ciclos de liquidez da macroeconomia. Se 2026 trouxer uma nova onda de impressão de dinheiro, poderemos finalmente ver a fase de expansão que o mercado esperava para 2025.
A Mudança de Comportamento dos Críticos e a Adoção Institucional
Um fenômeno notável nesta recente queda foi o relativo silêncio dos críticos ferrenhos do Bitcoin. Em outros tempos, uma queda de 25% seria um prato cheio para declarações de que o ativo era uma “bolha”. Esse silêncio, de fato, reflete uma mudança fundamental na percepção do mercado.

Com grandes bancos como o JP Morgan oferecendo serviços de custódia e a proliferação de ETFs de Bitcoin, a narrativa mudou completamente. A adoção institucional legitimou o ativo a um ponto em que criticá-lo abertamente se tornou um risco reputacional. O sistema financeiro, em vez de lutar contra, está tentando absorvê-lo.
Essa integração, no entanto, vem com uma nova narrativa. A mensagem implícita é que o Bitcoin é um bom investimento, mas deve ser mantido dentro do sistema bancário, onde é “seguro”. A batalha futura, ao que tudo indica, não será sobre a validade do ativo, mas sobre o controle, incentivando a custódia em bancos em detrimento da auto custódia soberana.
Oportunidade em Meio ao Pessimismo: Acumular ou Esperar?
Para o investidor de longo prazo, a filosofia permanece a mesma: momentos de queda são oportunidades de compra. O pessimismo extremo do varejo geralmente coincide com os períodos de acumulação por parte dos investidores mais pacientes. Enquanto muitos entram em pânico, as “baleias” e as instituições veem uma chance de aumentar suas posições a preços mais baixos.
O Bitcoin é um verdadeiro jogo de resistência, onde a volatilidade testa a convicção dos investidores. Aqueles que entendem seus fundamentos — sua escassez programada, descentralização e resiliência — tendem a ver além do ruído do curto prazo. O halving já ocorreu, a oferta de novos bitcoins diminuiu e a demanda institucional continua a crescer, afinal.

A frustração atual deriva de expectativas que não se concretizaram no tempo esperado. O mercado, entretanto, não opera com base em um cronograma fixo. A paciência e a disciplina de acumular consistentemente, independentemente do preço, têm se provado a estratégia mais eficaz ao longo da história do Bitcoin.
Conclusão: Uma Visão de Longo Prazo para o Futuro do Preço do Bitcoin
Determinar com certeza se estamos no início de um bear market ou apenas em uma pausa prolongada é impossível. Os dados, contudo, sugerem que a estrutura do mercado mudou fundamentalmente com a entrada de capital institucional. A volatilidade foi amortecida e os ciclos podem estar se alinhando com as tendências macroeconômicas globais.
A queda abaixo de 100 mil dólares, embora psicologicamente impactante, não invalida os fundamentos do ativo. O protocolo continua funcionando perfeitamente, com blocos sendo gerados e a emissão diminuindo conforme programado. O preço do Bitcoin é um reflexo do sentimento humano e da liquidez disponível, fatores que são, por natureza, cíclicos.
A perspectiva para 2026, com uma provável reversão nas políticas de juros, mantém acesa a chama do otimismo. Para quem acredita que o Bitcoin é uma proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias, o cenário atual representa uma valiosa oportunidade. A verdadeira prova para o investidor não é prever o fundo, mas manter a convicção durante a incerteza, com foco na soberania financeira e na prosperidade futura.
Fontes de referência:
- Bitcoin falls below $100,000 for the first time since late June
- Bitcoin (BTC) Price: Falls Below $100K for First Time Since June
- Bitcoin Falls Below $100K, $1T Erased From Crypto Market
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